Você conhece a Síndrome do Coração Partido?

Também conhecida como cardiomiopatia de takotsubo ou miocardiopatia de takotsubo, essa disfunção rara é muitas vezes confundida com infarto

A perda de uma pessoa querida, o término de um casamento, ser vítima de um episódio de violência, a descoberta de uma traição. Essas e outras fortes emoções podem afetar de maneira intensa o seu coração – e aqui estamos falando no sentido literal.

Além da dor emocional, situações extremas como essas podem desencadear a síndrome do coração partido — uma disfunção rara, confundida muitas vezes com o infarto agudo do miocárdio por provocar dor aguda no peito, falta de ar, suor, palidez e alterações no ritmo cardíaco. A semelhança não para por aí: nesse caso também ocorrem alterações do eletrocardiograma e das enzimas cardíacas, além da alteração da capacidade de contração do miocárdio. Não é à toa que, para tirar a dúvida do diagnóstico, os médicos recomendam sempre um rápido atendimento hospitalar assim que os sintomas aparecem.

Descrita pela primeira vez por médicos japoneses, na década de 1990, a síndrome foi batizada no Japão de cardiomiopatia de takotsubo, pela semelhança da base do coração, no momento da crise, com uma armadilha de caçar polvo, que é feita em forma de vaso.

Suas causas não são completamente conhecidas. “Sabe-se que o estresse que se instala de maneira aguda, relacionado a emoções intensas e repentinas, leva à ativação exacerbada do sistema nervoso simpático, com liberação de adrenalina e noradrenalina em altas doses, que exercem papel importante na disfunção”, explica o cardiologista Marcelo Katz, do Hospital Israelita Albert Einstein. Segundo o médico, emoções intensas precedem o quadro na maioria dos pacientes.

Embora os sintomas sejam parecidos com os do infarto, o médico esclarece que a confusão se desfaz quando eventualmente a pessoa é submetida ao cateterismo, pois no caso da síndrome não existe obstrução coronariana. A alteração da função cardíaca costuma ser transitória, com recuperação na grande maioria dos casos.

O tratamento é realizado com medicamentos, a critério médico. A mortalidade em decorrência da síndrome também é baixa, em torno de 1%.

Quem está no alvo

Estudos indicam maior incidência da síndrome do coração partido entre mulheres após a menopausa. Os reais motivos são desconhecidos.

Doses diárias de bons hábitos

Como é difícil eliminar totalmente o estresse em nosso dia a dia, a recomendação médica é a de amenizar os seus efeitos, aprendendo a administrar emoções, adotando um estilo de vida mais saudável e, sempre, cuidando do coração. “A prática de exercício físico regular é fundamental, por exemplo, por modular o estresse, melhorando inclusive a qualidade do sono”, orienta o cardiologista Marcelo Katz.

2018-07-30T16:54:15+00:00