Uma lição que mudou sua vida

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Uma lição que mudou sua vida

Aposentada do serviço público há sete anos, Maria Lélia Oliveira mora com a mãe e duas cachorras, Séci e Sapeka, em Ermelino Matarazzo (SP), e irá completar 61 anos em 2017. Mas só está bem e viva para contar sua história, porque tomou um susto aos 36 anos que a fez mudar de hábitos.

“Hoje, levo uma vida tranquila. Faço check-up completo duas vezes ao ano, não tenho pressão alta nem colesterol alterado. Procuro fazer uma alimentação saudável e até como um torresminho de vez em quando – que eu adoro. Mas nem sempre foi assim. Passei um sufoco há 24 anos por causa de um infarto agudo do miocárdio. Era julho de 1993, domingo à tarde. Naquele dia fui almoçar com minha irmã, que morava sozinha e estava grávida aos 38 anos. Naquele tempo, uma gravidez nessa idade era preocupante. Eu estava com muito medo de que algo acontecesse com ela e com a bebê, que, graças a Deus, nasceu saudável e hoje é uma linda jovem, a Gabriela. Somos muito amigas.

Lembro que, depois do almoço, decidi ir até a casa da minha amiga Sueli. No caminho, comecei a sentir fortes dores, uma espécie de ânsia, um aperto no peito. Fiquei bem assustada, mas tentei me controlar. Acendi um cigarro e continuei dirigindo. Nem sei como consegui chegar. Sueli estava com visita, em clima de alegria. Fiquei com vergonha de atrapalhar e segurei a onda. Não falei nada e continuei tentando lidar com aquele mal-estar até que tudo ficou fora de controle: a dor apertou muito, a ânsia aumentou e não pude mais disfarçar.

Aí foi aquela correria, me levaram para cama e me cobriram. Aquilo me sufocou. Uma vizinha veio e viu o que ninguém imaginava: “Esta moça está infartando. Corram para o hospital”. Eu tinha 36 anos, nem sabia direito o que era infarto, mas tinha certeza de que era algo grave e por isso estava apavorada. Apesar de ser domingo e sem trânsito na cidade, o caminho até o Hospital do Servidor Público pareceu uma eternidade. Disseram que todas as janelas do carro estavam abertas, mas eu estava sem fôlego, não conseguia respirar direito.

Cheguei ao hospital roxa e inconsciente, mas era meu dia de “sorte”: o chefe da cardiologia estava de plantão. Fui socorrida imediatamente, medicada, passei por alguns procedimentos e permaneci dois meses internada. Nesse período, a equipe médica chegou a dizer para minha família que possivelmente eu não teria mais uma vida normal. Se eu sobrevivesse, teria de lidar com sequelas e, certamente, não poderia mais trabalhar nem dirigir.

Felizmente e para surpresa de todos, minha recuperação foi excelente, saí ilesa, mas com uma lição bem difícil para levar para a casa: entender o porquê daquele susto e tomar todos os cuidados para não passar por isso mais uma vez.

Meus tios e meu pai, aos 63 anos, tinham morrido de infarto agudo do miocárdio. Meu pai era uma pessoa ativa, caminhava, andava de bicicleta, não fumava e não bebia. O único fator de risco era a pressão alta. Já eu, uma pessoa jovem na época, saudável, não tinha colesterol alterado nem hipertensão. Por outro lado, estava vivendo um momento de estresse com a gravidez da minha irmã e também adorava uma happy hour com os amigos acompanhada por cervejinha, feijoada e porções de torresminhos, calabresa e frango a passarinho. Se bem que, no meu caso, o médico explicou que, além da predisposição genética ao problema, o fator desencadeante talvez tenha sido mesmo o fato de eu tomar pílula anticoncepcional e fumar, uma combinação que, até então eu não sabia, é perigosíssima.

Não teve jeito. Tive de mudar meus hábitos. Não foi fácil, mas parei de fumar e de beber. Também fui proibida de continuar com o anticoncepcional. O risco era alto e não queria passar por tudo aquilo novamente. Além disso, eu estava muito sensível, ficava cansada por qualquer esforço. Acho que nem aguentaria mais levar aquele estilo de vida boêmio. Consegui ser forte, fiz o tratamento direitinho. Comecei a fazer caminhada, melhorei minha alimentação e, desde então, tento controlar o estresse – embora esteja passando por mais um momento difícil com a minha mãe doente.

Atualmente, consulto o cardiologista duas vezes ao ano e faço todos os exames periodicamente. Graças a Deus, está tudo bem. Dei uma relaxadinha e não estou caminhando, mas já levei uma bronca do médico na última consulta e devo retomar a atividade em breve. O coração pode sofrer por muitos anos em silêncio e de repente nos pegar de surpresa. Por isso acho que o que eu aprendi deveria servir de lição para todos. Ainda que você não tenha sintomas ou ache que não tem fatores de risco para um infarto ou outro problema cardiovascular, vá procurar um médico e faça os exames preventivos. Muitas vezes, o susto pode ser fatal.”

By | 2017-10-13T14:03:54+00:00 outubro 13th, 2017|Categories: Meu coração tem mais história|Comentários desativados em Uma lição que mudou sua vida

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