Pergunte ao ginecologista

O ginecologista pode esclarecer suas dúvidas e ser um grande aliado contra as doenças cardiovasculares. Confira seis perguntas que toda mulher deveria fazer durante as consultas

 

O ginecologista é o médico de confiança das mulheres. É ele quem vai acompanhá-la ao longo da vida e participar de perto de fases importantes, como a puberdade, a gravidez e a menopausa, que provocam revoluções no organismo e colocam a saúde feminina à prova.

Portanto, ninguém melhor do que esse médico para levar ao público feminino orientações básicas e essenciais para blindar o coração e afastar os riscos de doenças cardiovasculares. O professor e cardiologista Rogério Krakauer, da Santa Casa de São Paulo, concorda e elencou seis perguntas que toda a mulher deveria fazer em suas consultas periódicas ao “gineco”.

Segundo Krakauer, que também é presidente da regional ABCDM da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, essa lista pode servir de alerta para as mulheres mudarem a rotina e investirem mais na prevenção. Anote e saiba por que você deve perguntar!

 

  1. Eu fumo e tomo pílula anticoncepcional. É verdade que isso pode ser uma bomba para o meu coração?

Se você usa métodos contraceptivos e é fumante, obesa ou sedentária, os primeiros passos são: parar de fumar, emagrecer e começar a fazer exercícios físicos. Não importa a sua idade. “Mesmo para a mulher jovem, esses maus hábitos associados ao uso de anticoncepcionais podem levar à hipertensão arterial ou à trombose, problemas que oferecem sérios riscos à saúde”, alerta o cardiologista Rogério Kraukauer.

  1. A gravidez requer uma atenção especial à saúde cardiovascular?

Sim, mas especialmente se você for hipertensa ou apresentar histórico familiar para doenças cardiovasculares. Um descontrole da pressão arterial – como uma hipertensão, por exemplo –, durante a gravidez e no momento do parto, podem causar complicações para a mãe e o bebê.

  1. Que tipo de exames indicam se tenho algum problema cardíaco?

Os check-ups que o ginecologista costuma solicitar de tempos em tempos, e em qualquer idade, já podem indicar problemas ou situações de risco que comprometem seu coração e o sistema cardiovascular. Os exames básicos para isso são especialmente o hemograma completo, que mede as taxas de colesterol, triglicérides e glicose no sangue, bem como o eletrocardiograma e o teste ergométrico. Uma dica do cardiologista Rogério Kraukauer é pedir sempre ao ginecologista para que ele meça a sua pressão arterial durante a consulta. Essa avaliação costuma ser praxe na maioria das vezes e os resultados já podem ser o primeiro sinal de alerta de que algo não vai bem.

  1. Será que devo consultar um cardiologista?

Você pode – e deve – dividir, sim, essa preocupação com o seu ginecologista, especialmente se os seus exames apontarem algum risco para doenças cardiovasculares ou se você estiver sentindo cansaço, dor no peito, falta de ar, tontura e palpitação. “Mesmo que ocorram ocasionalmente, esses sintomas merecem atenção em qualquer fase da vida e precisam ser investigados”, recomenda o cardiologista.

  1. Tenho histórico familiar de infarto. Eu preciso me preocupar?

Cardiopatias congênitas e outras doenças na família que indicam uma predisposição genética para problemas cardiovasculares – como diabetes e hipertensão – precisam ser reportadas em suas consultas. A partir desse histórico e dos seus exames, seu médico pode avaliar quando é necessário encaminhá-la a um cardiologista.

  1. Estou entrando na menopausa. Quais os riscos da reposição hormonal?

Esse é um tema controverso. Existem pesquisas a favor e contra a terapia de reposição hormonal – mas geralmente a contraindicação tem mais a ver com o momento em que esse tratamento é realizado e com alguma predisposição da paciente a doenças. No geral, a recomendação a todas as mulheres é que fiquem atentas quando estiverem na faixa etária do climatério e menopausa – a partir dos 55 anos –, por causa da falta do estrogênio natural. “Talvez você já tenha ouvido que o ‘estrogênio protege o coração’. Na realidade, o estrogênio que tem efeito benéfico sobre a parede interna dos vasos é aquele produzido pelo organismo feminino, que diminui a partir do climatério. Peça orientação ao seu ginecologista”, explica o médico Kraukauer. Só mesmo um especialista pode avaliar se você é uma candidata à terapia hormonal, quando exatamente precisa começar a tomar hormônios e por quanto tempo. Tudo isso para que não haja qualquer risco à saúde.

2018-08-15T17:52:04+00:00