Olha aí, olha aí a saúde, dona Maria!

A feira livre oferece doses de prevenção contra doenças cardiovasculares em forma de frutas, legumes e folhas

Ir à feira é um hábito que tem resistido ao tempo, à facilidade das compras on-line e à concorrência com os supermercados. O segredo não está bem na gritaria típica dos feirantes, mas dentro das frutas, legumes, folhas, grãos, sementes e até carnes que costumam ser expostos nas barracas e deixam as ruas mais coloridas e perfumadas.

As pesquisas não param de revelar novas substâncias na maioria dos alimentos vendidos em feiras livres que são poderosas para a nossa saúde. Mas nem é preciso estar antenado a todas essas novidades para acreditar que alimentos naturais e fresquinhos têm um impacto positivo para o bom funcionamento do organismo. Não é mesmo?

O último estudo coordenado pelo Centro de Diabetes da Universidade de Lund, na Suécia, e publicado na revista Science Translational Medicine, por exemplo, sugere que o brócolis pode ser um importante aliado na prevenção do diabetes tipo 2. Um extrato feito com um composto (glucorofanina) presente no broto desse vegetal conseguiu reduzir em mais de 10% os níveis de açúcar no sangue de pessoas obesas e que estavam com a doença fora de controle. Isso ocorreu, porque no organismo esse composto é transformado em sulforafano, um antioxidante capaz de reduzir a produção de glicose pelo fígado.

É claro que a concentração de glucorofanina oferecida aos voluntários durante três meses era cem vezes maior do que a encontrada naturalmente no brócolis. Mas esse achado e tantos outros, mais uma vez, só reforçam a importância da adoção de hábitos mais saudáveis à mesa desde muito cedo e ao longo da vida. É por isso que ir à feira sempre será um programão.

As melhores escolhas para o coração

Para quem deseja encontrar nas barracas boas opções para afastar os riscos de doenças cardiovasculares, há escolhas para todos os gostos. A nutricionista Maristela Strufaldi, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, apontou os alimentos mais indicados (confira ao final da matéria), mas aproveitou para apontar a ida à feira como um ótimo passo para começar a investir na reeducação alimentar e para cuidar da saúde de forma integral.

“Em alimentação, as palavras-chave são diversidade e equilíbrio”, garante Maristela, que também é especializada em Saúde da Mulher pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo a nutricionista, uma alimentação colorida, não monótona, mais do que oferecer uma proteção cardiovascular, faz toda a diferença, se quisermos ter mais disposição, vitalidade e longevidade.

Ela também recomenda que a preferência seja, sempre que possível, pelos orgânicos. “Na ausência, escolha alimentos do mês ou da estação, porque não são expostos a agrotóxicos e apresentam maior concentração de elementos antioxidantes e bioativos”, ensina. Essas substâncias, de acordo com a nutricionista Maristela, são importantes para o bom funcionamento dos órgãos, a redução do colesterol e a proteção da saúde cardiovascular.

A seguir, os alimentos que não podem sair da lista de quem pretende proteger o coração, enriquecendo o seu cardápio diário:

Beterraba, repolho e cebola roxos, tomate, morango, melancia, uva roxa e amora. Esses alimentos de cor avermelhada são ricos em resveratrol e antocianinas, substâncias que combatem os radicais livres presentes no organismo e ajudam a retardar o envelhecimento das células.

Espinafre, rúcula, agrião e outras folhas verde-escuras. Contêm magnésio, precursor da serotonina – a substância que promove uma sensação de bem-estar, atua na diminuição do estresse, ajuda no sono, equilibra o ritmo cardíaco, entre outras ações vitais ao bom funcionamento do organismo.

Sardinha, atum e salmão. Além de serem uma ótima opção à carne vermelha, esses peixes oferecem o ômega 3 – um tipo de gordura insaturada que é importante fonte de energia, tem ação anti-inflamatória, fortalece o sistema imunológico, melhora o desempenho cognitivo e auxilia a absorção de vitaminas. “O ômega 3 é reconhecido como um nutriente que protege a saúde cardiovascular e a do cérebro. Mas, para isso, o ideal é que uma dessas opções de peixe seja incluída na dieta ao menos uma vez por semana”, recomenda a nutricionista Maristela Strufaldi.

Castanhas e amêndoas, abacate, sementes de linhaça e chia. São alimentos saudáveis pela oferta de gorduras mono e poli-insaturadas, que são as tais gorduras saudáveis, benéficas para o cérebro e o coração. Mas devem ser consumidos com moderação. “Castanhas e amêndoas, especialmente, são calóricas e, em excesso, podem provocar acúmulo inadequado de gordura no organismo”, avisa a nutricionista. Também vale um destaque para a linhaça, que é um dos alimentos mais ricos da natureza em ômega 3 e que contém compostos antioxidantes poderosos para proteger coração, intestino e afastar os riscos de alguns tipos de câncer.

Brócolis, couve-flor, couve-de-bruxelas, repolho e folhas de mostarda. Todos esses alimentos possuem um composto (glucorofanina) que, segundo pesquisa recente (e citada nesta matéria), pode ser um importante aliado na prevenção do diabetes tipo 2. E sabemos que o diabetes é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares.

2018-08-15T17:50:26+00:00