IMC e o peso dessas letrinhas para sua saúde

O Índice de Massa Corporal (ou IMC) é importante indicador de risco para doenças cardiovasculares. Mas não deve ser o único sinal de alerta

Quem não quer ter o peso ideal ou emagrecer aqueles cinco quilinhos? Não importa a idade, a maioria das mulheres está sempre com um olho na balança e outro naquele jeans justo e maravilhoso da vitrine. Independentemente do seu grau de satisfação diante do espelho, porém, vale lembrar que existem números bem mais importantes com os quais se preocupar.

O índice de Massa Corporal (IMC), por exemplo, é uma medida internacional para calcular o “peso ideal” a partir de uma equação que considera a relação peso-altura (veja como calcular o seu abaixo). Essas três letrinhas indicam que os riscos para doenças cardiovasculares e outras, como diabetes e até mesmo câncer, aumentam à medida que o IMC ultrapassa a faixa considerada normal (ou seja, entre 18,5 e 25). Isso porque vários estudos associam sobrepeso e obesidade a esses males.

A nutricionista Maristela Strufaldi, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, concorda, mas faz um alerta. Apesar de largamente utilizado, o IMC não deve ser o único método de classificação do estado nutricional e clínico de uma paciente. “Outros fatores são mais significativos, como é o caso do percentual de gordura corporal, que é calculado não apenas com base no peso, mas também na quantidade de gordura e de músculo, além da circunferência da cintura, um marcador relevante para doenças cardiovasculares”, explica Maristela, que é especializada em Saúde da Mulher pela Universidade de São Paulo (USP).

Na prática, se você, por exemplo, tem um IMC que indique sobrepeso, mas frequenta regularmente a academia, pode ter um percentual de músculos significativo e baixo índice de gordura corporal. Por outro lado, uma mulher que sempre apresentou um IMC normal pode ter biotipo e fatores genéticos que a predispõem ao acúmulo de gordura abdominal.

E não é só isso. Um padrão alimentar de baixa qualidade, situações de estresse constantes, poucas horas de sono ou um sono pouco reparador e até mesmo a chegada da menopausa, por conta das mudanças hormonais, favorecem o acúmulo de gordura na região da cintura.

E por que essa cinturinha grossa faz tão mal?

A gordura abdominal ou visceral (porque é aquela que envolve órgãos) acima de 80 cm no caso das mulheres e de 94 cm (para os homens) é considerada mais perigosa para a saúde, porque com o tempo induz o organismo à tal síndrome metabólica – caracterizada pelo desequilíbrio de substâncias e um estado inflamatório que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e diabetes e de mortalidade por esses males.

Felizmente, os especialistas alertam que pessoas que se alimentam bem e são ativas conseguem reduzir a gordura abdominal, protegendo a saúde do coração. Em qualquer circunstância, de acordo com a nutricionista Maristela Strufaldi, mas especialmente nesses casos, a recomendação é sempre optar por uma alimentação balanceada, rica em verduras, legumes e frutas, com uma oferta equilibrada entre grandes nutrientes (como carboidratos, proteínas e gorduras) e pequenos nutrientes (vitaminas, minerais e fibras).

É importante ainda reduzir o consumo da carne vermelha e aumentar o de carnes brancas, como peixe e frango, além de evitar frituras, dando preferência a cozidos, assados e grelhados. “Todos esses cuidados, juntamente com uma vida mais ativa, ajudam a garantir um bom controle de peso e, consequentemente, uma composição baixa de gordura corporal”, finaliza Maristela.

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Como calcular o IMC?

► Divida o seu peso (em quilos) pela sua altura (em metros).

► O resultado deve ser novamente dividido por sua altura.

Faixa de Peso IMC Risco de doenças
Baixo Peso menor que 18,5 Baixo
Normal de 18,5 a 25 Ausente
Pré-obeso de 25 a 30 Aumentado
Obeso classe I de 30 a 35 Moderado
Obeso classe II de 35 a 40 Grave
Obeso classe III maior que 40 Muito grave

 

Fonte: Associação Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
2018-08-15T17:51:15+00:00