Coração e Pílula – Mitos e Verdades

Ginecologista e cardiologista explicam qual o impacto desses medicamentos para o coração das mulheres – e os principais mitos e verdades nessa história

A pílula anticoncepcional surgiu na década de 60 e é reconhecida como símbolo de uma revolução sexual feminina – que marcou a liberdade de escolha das mulheres no campo afetivo e em todos os outros. Também inspirou uma indústria de contraceptivos e ainda é o método mais usado no mundo para evitar a gravidez.

Hoje, as pílulas evoluíram e vão além. Algumas agem diretamente no controle das dores e dos sintomas que acompanham a menstruação, combatendo inclusive a TPM. Mas, apesar de todos os benefícios, os médicos lembram que elas são um medicamento como outro qualquer. E que, portanto, podem provocar efeitos colaterais e até oferecer riscos à saúde.

Sobre o seu uso aumentar as chances de uma mulher desenvolver uma doença cardiovascular, os especialistas alertam que esse risco é maior entre aquelas com predisposição para esse tipo de problema ou com uma rotina de hábitos prejudiciais à saúde. Tanto que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que mulheres com diabetes, obesidade, hipertensão e fumantes, por exemplo, diminuam a exposição aos anticoncepcionais hormonais. Saiba por que e desvende de uma vez o que é mito e o que é verdade.

As pílulas anticoncepcionais orais – que contêm hormônios – favorecem a ocorrência de acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio.

Verdade. Esses métodos contraceptivos estão, sim, mais associados aos riscos, porque, entre outros efeitos, aumentam a pressão arterial. “Mas esses riscos dependem muito da predisposição de cada mulher para doenças cardiovasculares, de como é a sua rotina alimentar e se tem vícios, como o tabagismo”, esclarece o ginecologista e obstetra Domingos Mantelli, que atende no Hospital Israelita Albert Einstein, São Luís e Pró-Matre. Por isso o médico recomenda: se for tomar pílula, pratique atividades físicas, cuide mais da alimentação, pare de fumar e não faça uso desse método por muito tempo.

A mulher com problema cardíaco não pode usar métodos contraceptivos.

Mito. Após uma análise detalhada de exames para diagnosticar o grau do problema cardíaco, o ginecologista recomendará o contraceptivo ideal para a paciente. Há vários métodos à disposição no mercado, com diferentes combinações hormonais ou sem a presença de hormônios: anticoncepcionais orais, DIU, camisinha, entre outros.

O uso de pílulas anticoncepcionais com estrogênio e progesterona é contraindicado para mulheres com doença cardíaca congênita.

Verdade. Dependendo da gravidade da cardiopatia, seu uso é contraindicado, porque pode aumentar os riscos de complicações.

Todo tipo de pílula pode causar coágulos sanguíneos e aumentar a pressão arterial.

Mito. Isso dependerá da predisposição da paciente para essas doenças. Por isso, é primordial que o ginecologista peça a realização de exames periódicos e investigue o histórico de doenças preexistentes ou cardiovasculares na família da paciente.

A pílula anticoncepcional causa trombose.

Mito. Desde que o uso seja livre da influência de cigarros e que a mulher não tenha outros fatores de risco para trombose(*) diagnosticados em exames. O cigarro unido à pílula é uma bomba, por engrossar o sangue, complicar a circulação sanguínea e, portanto, facilitar a formação dos trombos (coágulos). “O tabagismo pode aumentar até 13 vezes o risco de trombose venosa em mulheres que fazem uso da pílula”, alerta o cardiologista Eduardo Pesaro, do Hospital Israelita Albert Einstein. Nesse tipo de trombose, os coágulos são formados nas pernas, entopem as veias e podem migrar para os pulmões, levando à embolia pulmonar.

(*)Você sabe o que é o Fator V de Leiden?
Trata-se de uma mutação genética que pode aumentar muito o risco de a mulher sofrer de alguma doença cardiovascular, porque interfere na coagulação do sangue. O diagnóstico é feito por meio do exame Papanicolau e permite que, a partir desse resultado, o ginecologista indique um método que não estimule a coagulação sanguínea.

Dica dos especialistas

Toda mulher que decide usar um método contraceptivo deveria…

… realizar exames periódicos.
… jamais escolher por conta própria um método contraceptivo.
… consultar sempre um ginecologista.
… ser orientada a investigar trombofilia (que é a predisposição à formação de coágulos venosos).

2018-08-15T17:51:47+00:00